Stomach Massage – Por Myra Hirano

Tonifica o tronco, massageia o estômago e alonga muito! Esse é o Stomach Massage, uma série de exercícios do Método Pilates executada no aparelho Universal Reformer. A série é composta de 4 variações originais e elas estão conectadas em uma relação com outros exercícios do Pilates, passando do básico até o avançado em níveis de dificuldade.

1. Round Back

2. Flat Back

3. Reach

4. Twist

Como podemos identificar facilmente pelo nome, o foco é a região do estômago, que se encontram os músculos abdominais, aliás, esses 4 exercícios são puro powerhouse, é através dele que o exercício deve acontecer.

 

Eu me preparando para o Stomach Massage series. Foto: Nano Pilates

Como mostra nessa minha foto acima, nos posicionamos sentados no carriage, de frente para a footbar e apoiamos as pontas dos pés em pés de pilates nesta barra. Empurramos o carriage pelos músculos abdominais, e não pelas pernas. Os joelhos não podem hiperestender, dar aquele “tranco” ao realizar o movimento de empurrar o carriage. Os movimentos de ir e vir devem ser bem fluidos, é um trabalho com muito foco também no alongamento axial, essencial para que a postura não “despenque”.

É curioso percebermos como a posição dessa minha foto, no Round Back lembra o Rolling Like a Ball do Mat Pilates. Já o Flat Back eu sinto que me prepara para a série da Short Box, o Reach me lembra o esforço da parte superior do corpo para manter em um Teaser e o Twist me ajuda em todos esses e nos exercícios do Mat como o Spine Twist e Saw. Essas conexões do Método fazem sentido para vocês também?

– Algumas dicas para o sucesso:

  • Esteja com o seu powerhouse bem engajado a todo tempo.
  • Contraia os músculos internos das coxas, ativando a linha média.
  • Não trave os joelhos ao estendê-los.
  • Esteja conectado também com a parte posterior das pernas até os glúteos, principalmente na extensão.
  • Não desconecte os calcanhares e sua relação com a linha média.
  • Empurre o carriage a partir da força do powerhouse e não das pernas.
  • Resista as molas na volta do carriage.
  • Alongue a coluna de forma que haja espaço entre as vértebras, com alongamento axial.
  • Mantenha as costelas afastadas da barriga e a barriga sem colar nas pernas.
  • Scoop: contraia os músculos abdominais levando a barriga para dentro como se estivesse cavando com uma conchinha de feijão, pra dentro e pra cima.
  • Estabilizar o quadril sem travar o movimento e não perder a fluidez.

Agora segue um video do canal do Youtube Balanceconie de uma aula do Reformer com a série do Stomach Massage para que possamos entender melhor. 🙂

Um bom retorno à vida a todos!

Myra
IG: @myrapilates

Porque Pilates só conta até 10? – Por Myra Hirano

Diferente de outras formas de treinamento de força, a maioria dos exercícios de Pilates são realizados com apenas 3-6 repetições e nunca passamos de 10 vezes/ciclo para exatamente o mesmo movimento.
Por quê? A resposta é bem simples, fazer os exercícios com precisão e eficiência é tudo o que você precisa e nada a mais.

De acordo com Joseph Pilates, “A Contrologia (nome inicial, original do Método Pilates) não é um sistema fatigante, maçante, chato, de insuportáveis exercícios repetidos diariamente até causarem náusea.” Cada exercício requer uma precisão da correta colocação postural, uma concentração e controle do seu próprio corpo, que haja domínio da prática proposta, e quando se faz desta forma só precisamos de algumas repetições para colher todos os seus benefícios.

Pilates é um grande sistema de exercícios pensado e testado, com suas sequências realizadas em máquinas específicas criadas para tal, com carga e número de repetições corretos, e o seu programa de solo igualmente. Você deve sim, se preocupar com o domínio da prática e a fluidez da aula, sempre realizando os exercícios com consciência e concentração em cada detalhe das corretas instruções e se preparando para o que está por vir.

 

Joe Pilates em plena e saudável forma física aos 67 anos de idade. Foto : Hubertus Joseph Pilates, a biografia . HakaBooks.com

A evolução da prática fará com que você aumente o número de exercícios em uma aula e seus desafios, e não o número de repetição ou o aumento da carga. Muitas pessoas confundem o Método Pilates com o treino da musculação, por exemplo. É um grande erro! São atividades completamente distintas! Ou acreditam que somente fazendo aulas de Pilates vão emagrecer. A busca sempre deve ser em realizar os exercícios com controle e fluidez. Se você procura outros objetivos, prefere aumentar a carga, o número de repetições, ou qualquer outra característica que não pertence à Técnica de Pilates, deve então procurar uma atividade que atenda melhor a sua meta, ou combinar atividades. Existem muitas ótimas opções para este fim. Não adianta dar murro em ponta de faca. 🙂

Mesmo com poucas repetições nós desenvolvemos músculos fortes , tanto no core como nos membros. Pergunte a qualquer um que pratica aula de Mat Pilates Clássico e poderá dizer-lhe , isto realmente é um exercício!” Marguerite Ogle para o Pilates About

Além disso, Pilates é sobre o corpo como um todo, integrando os movimentos naturalmente funcionais e preparando-nos para uma vida saudável, não é sobre excesso de desenvolvimento muscular de um conjunto de músculos com várias repetições de um exercício . Ao invés de fazer inúmeras vezes os mesmos movimentos, o Pilates se move através de exercícios diferentes e conectados em uma só aula, aproveitando essa variedade para manter o corpo e a mente ocupadas, desenvolvendo uma simetria e um balaceamento corporal, procura-se uma musculatura graciosa e não “músculos salientes”, como dizia o próprio Joe Pilates em sua obra Return to Life.

Joseph ainda escreveu:

Certifique-se de nunca repetir o exercício (s) selecionado mais que o número de vezes prescrito, você estará ignorando este mais importante conselho e direção.”

O meu conselho é praticar pensando em realizar cada exercício totalmente de corpo e alma presentes. Tentar alcançar um alinhamento impecável, seguir as instruções com fidelidade, utilizar uma respiração livre, usando a sua capacidade máxima de obter todo o ar fresco possível, inspirando e expirando consciente e completo, fluindo através do movimento. Com estes elementos você irá atingir os benefícios do Pilates e encontrará o equilíbrio, que irá te surpreender e com certeza superar os resultados limitados de muitas repetições, a maioria das vezes sem sentido.

Não tente fazer do Pilates um milagre para tudo que você precisa! Caso contrário, você não conseguirá alcançar nem os seus objetivos e nem os propostos pelo método! Quem pratica o Pilates verdadeiro e consciente sabe que 99% das vezes nem é sequer possível fazer tantas repetições atendendo as corretas instruções.

Procure primeiro entender a técnica que você pratica, que você conhece, ou que talvez ainda tenha que aprender mais, a fundo! Até que você consiga concluir que não adianta tentar mudar uma técnica, o caminho será simplesmente mudar DE técnica, e encontrar aquela que tem mais a ver com os seus objetivos.

Um bom retorno à vida a todos!

Myra
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Wunda Chair – a Cadeira Maravilhosa! – Por Myra Hirano

A Wunda Chair foi o terceiro equipamento registrado e o primeiro equipamento para ser usado em casa criado por Joseph Pilates! Isso mesmo, Joseph acreditava que deveríamos estar sempre em movimento, e não perdermos uma oportunidade sequer de trabalharmos o corpo para a melhoria da qualidade de vida. Uma cadeira para ter no meio da sua sala de estar!

 

Wunda Chair com as medidas originais do aparelhos@nanopilates.com.br. Foto: Nanô Pilates

Quando você senta nela em formato “home” para ver televisão ou ler um jornal, por exemplo, ela já te impõe sentar-se em uma boa postura. Depois, quando quisesse se exercitar, você viraria a cadeira de cabeça para baixo e prenderia as suas duas molas (anteriormente apenas uma mola*, vide desenho da patente a seguir) que existem dentro dela e que ligam a um pedal, o qual no início tinha uma parte extra para trabalhar os pés que depois também foi modificada, ficando apenas o pedal em formato côncavo que conhecemos atualmente. E pronto, pode começar a se mexer e pegue uma toalhinha, porque certamente você vai suar a camisa. 🙂

 

Eu na minha semana de aulas privadas, treinando no True Pilates Durham na Inglaterra. Wunda Chair da marca Gratz Pilates, com as medidas originais. Foto: arquivo pessoal.

Abaixo você encontra um vídeo do próprio Joseph Pilates demonstrando como você poderia ter esse aparelho versátil em sua casa, como uma propaganda. Inclusive existe um caderninho de próprio punho do Joe Pilates com várias anotações sobre a Wunda chair e uma lista de possíveis lugares que ele iria visitar, para tentar promover a sua brilhante invenção e alcançar a casa das pessoas, vendendo a cadeira maravilhosa.

Mr. Pilates criou a Wunda Chair no ano de 1931, precisamente no dia 29 de agosto, segundo a entrada da patente que você encontra neste link:
Patent # 1969901

 

Desenho da patente original do equipamento Wunda Chair de Joseph Pilates, preenchida em 1931 e concebida em 1934. Foto: pilatesintel.com

Segundo Jávier Pont na biografia Hubertus Joseph Pilates, o querido Joe investiu muito para tentar patentear todos os seus aparelhos e proteger suas invenções exclusivas de cópias.

Sabe-se que de todos os elderes, Kathy Grant foi quem mais treinou neste aparelho com Joe Pilates. Inclusive herdou uma Wunda Chair feita pelo próprio criador e que depois foi passada para sua discípula Cara Reeser, que mantém este tesouro até hoje em seu Estúdio, o Pilates Aligned em Denver no Colorado – EUA. Segue vídeo do Pilates Anytime com Cara Reeser mostrando a cadeira handmade original de Joseph!!!

Eu com a querida Cara Reeser , que estará no Brasil em outubro para o Classical Pilates Conference Brasil. Foto: arquivo pessoal.

Depois de um pouco de história, vamos falar porque ela foi denominada maravilhosa e acabou sendo aderida no Estúdio com os outros aparelhos. 🙂

Força, coordenação, equilíbrio e flexibilidade, uma combinação super desafiadora de um apparatus super simples estruturalmente e ao mesmo tempo tão versátil em seu repertório de exercícios.

E como Pilates é prática, hoje não vou me prolongar em exercícios e deixo vocês com um pequeno vídeo de demosntração com Cara e essa incrível revolução das cadeiras comuns da sua sala de estar!

Um bom retorno à vida a todos!

Myra

IG: @myrapilates
Fontes consultadas:

– pilatesintel.com

– pilatesanytime.com

– Hubertus Joseph Pilates, The Biografy – Perez, P. Jávier, 2013*

Footwork, dos pés à cabeça! – Por Myra Hirano

Quando você ouvir que Pilates é um programa de exercícios para o corpo todo, é exatamente isso que estão querendo dizer. O seu criador não se esqueceu de nenhum pedacinho. A começar pelos pés, que é a nossa base, e não é novidade que Joseph Pilates criou vários apparatus com o intuito de trabalhar os pés, pois ele entendia a sua importância para a construção de um bom alinhamento corporal.

A primeira vista você pode nem notar, mas os nossos pés estão conectados com os nossos quadris, com os glúteos e o nosso famoso powerhouse. O Foot Corrector foi o primeiro acessório a ser criado por Joseph (tem post aqui no Blog sobre ele) sua primeira patente. Depois ele também criou o Toe Corrector para trabalhar a força nos dedos dos pés, tudo isso ajudando a fortalecer, a massagear e também a alongar os pés, consequentemente contribuindo para a melhoria da postura.

Mas a sua segunda patente foi do aparelho Universal Reformer , por volta de 1924 ( ano da entrada da patente em Berlim, na Alemanha*). Acho impressionante como naquela época Joe Pilates já sabia muito bem o que estava fazendo e construindo.

 

Anatomia do Reformer com as medidas e tensões originais e alguns nomes para ficar mais fácil o entendimento ao longo do texto. Foto: Nanô Pilates (aparelhos@nanopilates.com.br)

A primeira série de exercícios que realizamos neste aparelho chama-se Footwork. Como todos os exercícios criados pelo Sr Pilates, seu nome já nos dá uma dica sobre qual é o foco que ele queria que déssemos para cada exercício, para que fim ele foi criado. Trabalho de pés, essa é a tradução para Footwork, que acontecerá através da Footbar (barra de pés).

Basicamente funciona assim: deitamos no carrinho (carriage), apoiamos os pés na footbar e empurramos , fazendo movimentos de abrir e fechar através das molas. Ao vermos os movimentos serem executados nos parece que o objetivo é apenas o fortalecimento de membros inferiores, das pernas. Mas o trabalho é bem mais complexo e profundo do que isso, como tudo em Pilates. 🙂

Footwork é uma série para aquecer, por isso vem primeiro na sequência. Assim como o Hundred que vem logo em seguida. Gosto de ver como a posição em que nos encontramos na série do Footwork quando as pernas estão estendidas e se alongando longitudinalmente, é a “mesma” que faremos com a parte inferior do corpo no Hundred, dando continuidade à sequência do Reformer, como se fosse uma preparação para o que está por vir. Compare na minha foto abaixo.

 

Eu na posição do Hundred no Reformer no True Pilates Durham – UK. Foto: arquivo pessoal.

Além de aquecer, seus objetivos principais são:

  • Alinhamento.
  • Conexão e engajamento corporal com o centro (powerhouse).
  •  Alongamento axial.
  •  Fortalecimento e alongamento dos pés e tornozelos.

O Footwork também é ótimo para começarmos a alinhar a postura. Ao deitar no carrinho do Reformer e posicionarmos os ombros no apoio de ombros( shoulder rest) e a cabeça no seu apoio (head rest) , o instrutor já será capaz de  identificar alguns desalinhamentos do cliente. Muitas pessoas apresentarão desordens no joelho, nos quadris e será fácil de percebermos, devido à ausência da gravidade e das compressões, por estar em uma posição deitada e “encaixada” no aparelho, contribuindo para que possamos começar a “reformar” este corpo. Então o Footwork já funciona como uma ótima ferramenta de avaliação.

Empurrar o carrinho (carriage) nesse ir e vir até completar 10 repetições de cada posição, fazendo flexão-extensão com a tensão das molas fará com que a pelve se mova, caso você não esteja conectado com o seu powerhouse. Quando o carrinho se afasta e você estica as pernas, a pelve tende a fazer uma anteroversão e criar aquela curva lordótica acentuada (arqueada), e na volta do carrinho, a pelve tende a realizar o movimento contrário, de retroversão, onde o nosso osso achatado chamado sacro tende a sair do carro e a pelve se levantar.

ATENÇÃO! Não podemos deixar que nem um, nem outro aconteça! Por isso precisamos nos preocupar com os apoios corretos da coluna e a conexão com a musculatura do powerhouse para que ela possa estar devidamente estabilizada.

Dicas para aproveitar ao máximo o seu Footwork:

– Sempre esteja atento ao alinhamento: tornozelo, joelho e quadril.

– 3 pontos devem obrigatorimente estar apoiados na cama: base da cabeca (crânio), região da coluna torácica e o sacro.

– O abdomen deve estar conectado para dentro e para cima com a ajuda do músculo Transverso Abdominal, como se ele quisesse tocar a coluna lombar, indo em direção ao carrinho e alongando em direção à cabeça ao mesmo tempo, o alongamento axial que estará presente a todo momento. Essa posição é um comando em Pilates que chamamos de scoop.

– Os pés devem estar devidamente apoiados e alinhados em cada uma de suas 4 posições.

– Nunca hiperextender os joelhos ou deixar eles frouxos, cuide do alinhamento e do correto acionamento da musculatura. Por exemplo, se os joelhos quiserem rodar para dentro (valgo) faça uma leve rotação externa com os pés, mantendo as pernas paralelas e conectadas com os músculos da parte interna e da posterior sempre.

– Na volta do carrinho sempre resista o movimento, nunca deixe a tensão das molas te donimar!

– Lembre-se de usar os extensores do quadril, os glúteos e os isquiostibiais (a parte posterior). Não sobrecarregue o quadríceps, esse exercício não é exclusivo para ele.

– Não deve-se aumentar o número de repetições (10 para cada posição) ou fazer mais de 4 variações, afim de evitarmos um dos princípios deste método que é não fadigar a musculatura.

– Respeite o número de molas, se você tem o aparelho original são 4 molas, caso o praticante esteja iniciando diminua até que ele evolua. Geralmente só é presico diminuir uma. (Usando como referência a tensão das molas originais) Caso você não tenha as molas com tensões originais, tente adaptar a resistência mais próxima.

Posições do Footwork:

1 – Pilates “v”  

1- Posição Pilates “V”. Foto: PMA Study Guide.

 

2 – Arches  

2 – Posição Arches, com o apoio nos arcos dos pés. Foto: PMA Study Guide.

 

3 – Heels  

3 – Posição Heels, como apoio nos calcanhares. Foto: PMA Study Guide.

 

4 – Tendon Stretch

4 – Tendon Stretch, o mesmo apoio do Pilates “V” porém apenas os tornozelos se movem, e os joelhos estão o tempo todo estendidos. Foto: PMA Study Guide.

 

Como vemos, os apoios dos pés na barra de pés (footbar) do Reformer acontece de todas as formas, começando dos dedos e metatarsos (frente do pé) em rotação externa, passa pelo meio dos pés em ponta e paralelos (plantiflexão) e depois no calcanhar paralelos (dorsiflexão) . Finalizando com o trabalho de tornozelos proporcionando o alongamento e o fortalecimento do tornozelo e da musculatura da panturrilha. Trabalho completo e proporcionando uma massagem nos pés tensos de um dia longo de calçados!

Assita a seguir um vídeo do canal da Gratz Pilates no Youtube com o elder Jay Grimes. Repare que o praticante da direita está sempre em rotação externa, provavelmente para alinhar melhor os joelhos enquanto a praticante do centro e o da esquerda estam fazendo a versão original sem precisar modificar. E eles transitam direto para o Hundred completando o aquecimento.

Cada corpo é diferente do outro e sempre iremos atender as necessidades de cada indivíduo dentro do Método Pilates sem perdermos a essência!

O interessante e que depois de alguns poucos anos após criar o Universal Reformer, Joseph Pilates criou os aparelhos Chair e Cadillac e inseriu mais uma vez sua sequência de Footwork em superfícies parecidas, barras que possibilitassem esse trabalho de membros inferiores com ênfase nos pés e no controle. Viva a Contrologia!

Um bom retorno à vida a todos!

Myra
IG: @myrapilates
Fontes consultadas:

*  Hubertus Joseph Pilates, The Biografy – Perez,  J & Romero, E – 2013

O Reformer Universal – Perez,  J & Romero, E – 2012

Guia do Estudante – PMA, 2007

NO-RISK Pilates – Blandine Callais – 2010

http://www.truepilatessydney.com.au

Pedi Pole (Ped-o-Pull) – trabalhando a postura através dos braços. – Por Myra Hirano

O Pedi Pole é um dos aparelhos criados por Joseph Pilates, que também é conhecido como Ped-o-pull, Pedi-pull, Ped-o-pul, ou ainda Pedi-i-pull. Eu sinceramente não entendo o porque de mudar o nome, de toda a pesquisa que fiz e de livros que já li não encontrei o porque das variações do nome e de uma clara mudança. A verdade é que Joseph Pilates denominou este aparelho de Pedi Pole, vejo mais sentido, a partir do momento que Pole em inglês significa poste, mastro. Esse aparelho é composto de um grande mastro com um pequeno T no topo onde estão presas duas molas de intensidade forte e alças para as mãos. Esse mastro está preso a uma pequena plataforma de madeira que fica no chão.

Pedi Pole com as medidas originais de seu criador Joseph Pilates da marca GRATZ. Foto: pilates-gratz.com

Dizem que Joseph Pilates criou esse aparelho para uma cliente dele que era cantora de Opera, mas também não se tem certeza se foi para a famosa Roberta Peters ou para a também soprana Risë Stevens. Sabemos que Joseph trabalhou com diversos artistas da época e que fazia muito sucesso por melhorar a performance de seus clientes através do seu método.

O objetivo maior deste aparelho era trabalhar para alcançar uma boa postura e também ganhar flexibilidade da coluna. A primeira vista o Pedi Pole engana com sua simplicidade em acessórios, uma estrutura fisica humilde que esconde uma alta capacidade de nos desafiar e uma poderosíssima ferramenta para nos ajudar a alinhar o corpo.

O trabalho de braços também é muito presente nos exercícios do Pedi Pole já que você segura nas alças presas as molas para trabalhar o corpo. O Pole, segundo Joseph, representa a nossa coluna vertebral e através da referência deste e a conexão com os nossos braços é que realizamos os exercícios com o pricipal objetivo de fortalecer a coluna e alongá-la longitudinalmente, a famosa dupla do Pilates = powerhouse + alongamento axial, essa seria a chave para realizar os exercícios com eficiência e equilíbrio. Veja o video abaixo do Pilatesology, uma prévia de uma das aulas com o Pedi Pole do portal.

Esse aparelho nos permite trabalhar e entender a conexão que devemos fazer da coluna vertebral com a cintura escapular e os braços. Em Pilates nós não movemos as partes do corpo isoladas no movimento, sempre estamos conectados com as fontes e com o nosso powerhouse. No Pedi Pole existem molas fortes onde o objetivo não é ter braços fortes e músculos salientes, e sim achar essa integração da musculatura e o equilibrio, a partir da força corretamente aplicada, e também através do alongamento axial e o correto acionamento do complexo powerhouse.

Isso me lembra muito um Workshop online que assisti do Jay Grimes ( aluno direto de Joseph e Clara Pilates por mais de 10 anos, ainda ativo) no Pilatesology. Grimes diz que Joseph Pilates acreditava no alinhamento, todo o seu trabalho foi construído para alinhar a postura ideal para o indivíduo, e a partir daí ele encontraria a correção para os possíveis problemas e as dores sumiriam. “Isso que faz confundir o trabalho da fisioterapia com o Pilates . Pilates não é fisioterapia, por isso, pare de corrigir! Deixe o corpo se mover “sozinho” que ele mesmo irá se “corrigir”. Joseph Pialtes já fez todo o trabalho construindo esse Método perfeito, você só precisa escolher os exercícios certos para a pessoa certa.” acrescentou Grimes.

Concordo com Grimes e diria mais, ensiná-los corretamente! Por favor, não se ofendam por concordar que Pilates não é fisioterapia, sou Fisioterapeuta por formação e sei perfeitamente distinguir ambos. Não discordo que podemos usar alguns exercícios adicionando-os a outras técnicas quando se trata de uma sessão de Fisioterapia. Mas discordo que Pilates é tratamento! Pilates é movimento! Simples assim. Eu também entendo que às vezes nós paramos demais o nosso cliente para corrigi-lo em uma aula de Pilates, é uma respiração que eu quero que ele faça, é um detalhe que eu quero que fique exatamente reto…

Acredito em um movimento mais fluido em Pilates sempre, sentir o que aquele corpo está fazendo e educá-lo através do movimento dos exercícios originais. Pequenos ajustes ao longo da prática constante e uma liberdade de movimento inclusa fazem com que a prática alcance uma postura mais funcional e ideal para cada um. É uma prática, um treino pra vida, não é um tratamento que vamos receber alta.

Eu não compreendo e fico profundamente triste e frustrada do porque certos exercícios brilhantes criados por Joseph Pilates em sua Contrologia terem sido excluídos do repertório. E mais ainda pelo fato de alguns aparelhos e acessórios também terem sido “esquecidos” quando o Pilates começou a se difundir pelo mundo. Um deles é este, o Pedi Pole, que inclusive não é ensinado na maioria das escolas de formação do Método Pilates, apenas em poucas formações como a do Pilates autêntico de Romana Kryzanowska.

Eu tive contato com um Pedi Pole com as medidas originais e molas de tensão igualmente originais (faz toda a diferença) da marca GRATZ  Pilates,  no True Pilates Durham na Inglaterra. Apesar de não ter feito uma aula nele, pude ver o quanto firmes são suas molas e perceber o quanto incrível era mais essa criação do tio Joe. Depois disso comecei a procurar aulas/workshops online para assistir e constatei através do que vi e li, de profissionais conceituados, a eficácia deste fabuloso apparatus.

Alguns do exercícios que são feitos no Pedi Pole:

  1. Arm Circles
  2. Knee Bends
  3. Chest Expansion
  4. Butterfly

Se eu tivesse um Pedi Pole gostaria de usá-lo mas pro final da aula, pois gosto na maioria das vezes de finalizar a aula com uma série de exercícios na posição em pé. Tudo isso também me fez refletir o porque das pessoas criticarem o Pilates autêntico de Joseph como tendo uma certa deficiência em exercícios na postura em pé (com certeza não conhecem o repertório completo do Reformer e do Cadillac, por exemplo), acredito que a fonte de mais essa inverdade sobre a Contrologia partiu muito provavelmente e justamente dos que fizeram, parte desse trabalho genial do tio Joe, ficar esquecido e julgado como ultrapassado por ser de um “passado”. Talvez fazem isso por não saberem como trabalhar com o Pedi Pole, ou por aplicar errado a essência da metodologia de Joseph que sempre será uma só, e que se aplica perfeitamente nos dias atuais.

Para adquirir o Pedi Pole original e qualquer outro aparelho com as medidas originais de Joseph Pilates no Brasil envie um email para aparelhos@nanopilates.com.br e tire todas as suas dúvidas.

 

Pedi Pole Nanô Pilates com as medidas originais. Foto: Nanô Pilates

Um bom retorno à vida a todos!

Myra
IG: @myrapilates

Fontes consultadas:

pilatesology.com

vintagepilates.com

pilatesintel.com

pilatesconnections.com

pilates-gratz.com

PMA Study Guide, 2007