Porque Pilates só conta até 10? – Por Myra Hirano

Diferente de outras formas de treinamento de força, a maioria dos exercícios de Pilates são realizados com apenas 3-6 repetições e nunca passamos de 10 vezes/ciclo para exatamente o mesmo movimento.
Por quê? A resposta é bem simples, fazer os exercícios com precisão e eficiência é tudo o que você precisa e nada a mais.

De acordo com Joseph Pilates, “A Contrologia (nome inicial, original do Método Pilates) não é um sistema fatigante, maçante, chato, de insuportáveis exercícios repetidos diariamente até causarem náusea.” Cada exercício requer uma precisão da correta colocação postural, uma concentração e controle do seu próprio corpo, que haja domínio da prática proposta, e quando se faz desta forma só precisamos de algumas repetições para colher todos os seus benefícios.

Pilates é um grande sistema de exercícios pensado e testado, com suas sequências realizadas em máquinas específicas criadas para tal, com carga e número de repetições corretos, e o seu programa de solo igualmente. Você deve sim, se preocupar com o domínio da prática e a fluidez da aula, sempre realizando os exercícios com consciência e concentração em cada detalhe das corretas instruções e se preparando para o que está por vir.

 

Joe Pilates em plena e saudável forma física aos 67 anos de idade. Foto : Hubertus Joseph Pilates, a biografia . HakaBooks.com

A evolução da prática fará com que você aumente o número de exercícios em uma aula e seus desafios, e não o número de repetição ou o aumento da carga. Muitas pessoas confundem o Método Pilates com o treino da musculação, por exemplo. É um grande erro! São atividades completamente distintas! Ou acreditam que somente fazendo aulas de Pilates vão emagrecer. A busca sempre deve ser em realizar os exercícios com controle e fluidez. Se você procura outros objetivos, prefere aumentar a carga, o número de repetições, ou qualquer outra característica que não pertence à Técnica de Pilates, deve então procurar uma atividade que atenda melhor a sua meta, ou combinar atividades. Existem muitas ótimas opções para este fim. Não adianta dar murro em ponta de faca. 🙂

Mesmo com poucas repetições nós desenvolvemos músculos fortes , tanto no core como nos membros. Pergunte a qualquer um que pratica aula de Mat Pilates Clássico e poderá dizer-lhe , isto realmente é um exercício!” Marguerite Ogle para o Pilates About

Além disso, Pilates é sobre o corpo como um todo, integrando os movimentos naturalmente funcionais e preparando-nos para uma vida saudável, não é sobre excesso de desenvolvimento muscular de um conjunto de músculos com várias repetições de um exercício . Ao invés de fazer inúmeras vezes os mesmos movimentos, o Pilates se move através de exercícios diferentes e conectados em uma só aula, aproveitando essa variedade para manter o corpo e a mente ocupadas, desenvolvendo uma simetria e um balaceamento corporal, procura-se uma musculatura graciosa e não “músculos salientes”, como dizia o próprio Joe Pilates em sua obra Return to Life.

Joseph ainda escreveu:

Certifique-se de nunca repetir o exercício (s) selecionado mais que o número de vezes prescrito, você estará ignorando este mais importante conselho e direção.”

O meu conselho é praticar pensando em realizar cada exercício totalmente de corpo e alma presentes. Tentar alcançar um alinhamento impecável, seguir as instruções com fidelidade, utilizar uma respiração livre, usando a sua capacidade máxima de obter todo o ar fresco possível, inspirando e expirando consciente e completo, fluindo através do movimento. Com estes elementos você irá atingir os benefícios do Pilates e encontrará o equilíbrio, que irá te surpreender e com certeza superar os resultados limitados de muitas repetições, a maioria das vezes sem sentido.

Não tente fazer do Pilates um milagre para tudo que você precisa! Caso contrário, você não conseguirá alcançar nem os seus objetivos e nem os propostos pelo método! Quem pratica o Pilates verdadeiro e consciente sabe que 99% das vezes nem é sequer possível fazer tantas repetições atendendo as corretas instruções.

Procure primeiro entender a técnica que você pratica, que você conhece, ou que talvez ainda tenha que aprender mais, a fundo! Até que você consiga concluir que não adianta tentar mudar uma técnica, o caminho será simplesmente mudar DE técnica, e encontrar aquela que tem mais a ver com os seus objetivos.

Um bom retorno à vida a todos!

Myra
IG: @myrapilates

Wunda Chair – a Cadeira Maravilhosa! – Por Myra Hirano

A Wunda Chair foi o terceiro equipamento registrado e o primeiro equipamento para ser usado em casa criado por Joseph Pilates! Isso mesmo, Joseph acreditava que deveríamos estar sempre em movimento, e não perdermos uma oportunidade sequer de trabalharmos o corpo para a melhoria da qualidade de vida. Uma cadeira para ter no meio da sua sala de estar!

 

Wunda Chair com as medidas originais do aparelhos@nanopilates.com.br. Foto: Nanô Pilates

Quando você senta nela em formato “home” para ver televisão ou ler um jornal, por exemplo, ela já te impõe sentar-se em uma boa postura. Depois, quando quisesse se exercitar, você viraria a cadeira de cabeça para baixo e prenderia as suas duas molas (anteriormente apenas uma mola*, vide desenho da patente a seguir) que existem dentro dela e que ligam a um pedal, o qual no início tinha uma parte extra para trabalhar os pés que depois também foi modificada, ficando apenas o pedal em formato côncavo que conhecemos atualmente. E pronto, pode começar a se mexer e pegue uma toalhinha, porque certamente você vai suar a camisa. 🙂

 

Eu na minha semana de aulas privadas, treinando no True Pilates Durham na Inglaterra. Wunda Chair da marca Gratz Pilates, com as medidas originais. Foto: arquivo pessoal.

Abaixo você encontra um vídeo do próprio Joseph Pilates demonstrando como você poderia ter esse aparelho versátil em sua casa, como uma propaganda. Inclusive existe um caderninho de próprio punho do Joe Pilates com várias anotações sobre a Wunda chair e uma lista de possíveis lugares que ele iria visitar, para tentar promover a sua brilhante invenção e alcançar a casa das pessoas, vendendo a cadeira maravilhosa.

Mr. Pilates criou a Wunda Chair no ano de 1931, precisamente no dia 29 de agosto, segundo a entrada da patente que você encontra neste link:
Patent # 1969901

 

Desenho da patente original do equipamento Wunda Chair de Joseph Pilates, preenchida em 1931 e concebida em 1934. Foto: pilatesintel.com

Segundo Jávier Pont na biografia Hubertus Joseph Pilates, o querido Joe investiu muito para tentar patentear todos os seus aparelhos e proteger suas invenções exclusivas de cópias.

Sabe-se que de todos os elderes, Kathy Grant foi quem mais treinou neste aparelho com Joe Pilates. Inclusive herdou uma Wunda Chair feita pelo próprio criador e que depois foi passada para sua discípula Cara Reeser, que mantém este tesouro até hoje em seu Estúdio, o Pilates Aligned em Denver no Colorado – EUA. Segue vídeo do Pilates Anytime com Cara Reeser mostrando a cadeira handmade original de Joseph!!!

Eu com a querida Cara Reeser , que estará no Brasil em outubro para o Classical Pilates Conference Brasil. Foto: arquivo pessoal.

Depois de um pouco de história, vamos falar porque ela foi denominada maravilhosa e acabou sendo aderida no Estúdio com os outros aparelhos. 🙂

Força, coordenação, equilíbrio e flexibilidade, uma combinação super desafiadora de um apparatus super simples estruturalmente e ao mesmo tempo tão versátil em seu repertório de exercícios.

E como Pilates é prática, hoje não vou me prolongar em exercícios e deixo vocês com um pequeno vídeo de demosntração com Cara e essa incrível revolução das cadeiras comuns da sua sala de estar!

Um bom retorno à vida a todos!

Myra

IG: @myrapilates
Fontes consultadas:

– pilatesintel.com

– pilatesanytime.com

– Hubertus Joseph Pilates, The Biografy – Perez, P. Jávier, 2013*

Footwork, dos pés à cabeça! – Por Myra Hirano

Quando você ouvir que Pilates é um programa de exercícios para o corpo todo, é exatamente isso que estão querendo dizer. O seu criador não se esqueceu de nenhum pedacinho. A começar pelos pés, que é a nossa base, e não é novidade que Joseph Pilates criou vários apparatus com o intuito de trabalhar os pés, pois ele entendia a sua importância para a construção de um bom alinhamento corporal.

A primeira vista você pode nem notar, mas os nossos pés estão conectados com os nossos quadris, com os glúteos e o nosso famoso powerhouse. O Foot Corrector foi o primeiro acessório a ser criado por Joseph (tem post aqui no Blog sobre ele) sua primeira patente. Depois ele também criou o Toe Corrector para trabalhar a força nos dedos dos pés, tudo isso ajudando a fortalecer, a massagear e também a alongar os pés, consequentemente contribuindo para a melhoria da postura.

Mas a sua segunda patente foi do aparelho Universal Reformer , por volta de 1924 ( ano da entrada da patente em Berlim, na Alemanha*). Acho impressionante como naquela época Joe Pilates já sabia muito bem o que estava fazendo e construindo.

 

Anatomia do Reformer com as medidas e tensões originais e alguns nomes para ficar mais fácil o entendimento ao longo do texto. Foto: Nanô Pilates (aparelhos@nanopilates.com.br)

A primeira série de exercícios que realizamos neste aparelho chama-se Footwork. Como todos os exercícios criados pelo Sr Pilates, seu nome já nos dá uma dica sobre qual é o foco que ele queria que déssemos para cada exercício, para que fim ele foi criado. Trabalho de pés, essa é a tradução para Footwork, que acontecerá através da Footbar (barra de pés).

Basicamente funciona assim: deitamos no carrinho (carriage), apoiamos os pés na footbar e empurramos , fazendo movimentos de abrir e fechar através das molas. Ao vermos os movimentos serem executados nos parece que o objetivo é apenas o fortalecimento de membros inferiores, das pernas. Mas o trabalho é bem mais complexo e profundo do que isso, como tudo em Pilates. 🙂

Footwork é uma série para aquecer, por isso vem primeiro na sequência. Assim como o Hundred que vem logo em seguida. Gosto de ver como a posição em que nos encontramos na série do Footwork quando as pernas estão estendidas e se alongando longitudinalmente, é a “mesma” que faremos com a parte inferior do corpo no Hundred, dando continuidade à sequência do Reformer, como se fosse uma preparação para o que está por vir. Compare na minha foto abaixo.

 

Eu na posição do Hundred no Reformer no True Pilates Durham – UK. Foto: arquivo pessoal.

Além de aquecer, seus objetivos principais são:

  • Alinhamento.
  • Conexão e engajamento corporal com o centro (powerhouse).
  •  Alongamento axial.
  •  Fortalecimento e alongamento dos pés e tornozelos.

O Footwork também é ótimo para começarmos a alinhar a postura. Ao deitar no carrinho do Reformer e posicionarmos os ombros no apoio de ombros( shoulder rest) e a cabeça no seu apoio (head rest) , o instrutor já será capaz de  identificar alguns desalinhamentos do cliente. Muitas pessoas apresentarão desordens no joelho, nos quadris e será fácil de percebermos, devido à ausência da gravidade e das compressões, por estar em uma posição deitada e “encaixada” no aparelho, contribuindo para que possamos começar a “reformar” este corpo. Então o Footwork já funciona como uma ótima ferramenta de avaliação.

Empurrar o carrinho (carriage) nesse ir e vir até completar 10 repetições de cada posição, fazendo flexão-extensão com a tensão das molas fará com que a pelve se mova, caso você não esteja conectado com o seu powerhouse. Quando o carrinho se afasta e você estica as pernas, a pelve tende a fazer uma anteroversão e criar aquela curva lordótica acentuada (arqueada), e na volta do carrinho, a pelve tende a realizar o movimento contrário, de retroversão, onde o nosso osso achatado chamado sacro tende a sair do carro e a pelve se levantar.

ATENÇÃO! Não podemos deixar que nem um, nem outro aconteça! Por isso precisamos nos preocupar com os apoios corretos da coluna e a conexão com a musculatura do powerhouse para que ela possa estar devidamente estabilizada.

Dicas para aproveitar ao máximo o seu Footwork:

– Sempre esteja atento ao alinhamento: tornozelo, joelho e quadril.

– 3 pontos devem obrigatorimente estar apoiados na cama: base da cabeca (crânio), região da coluna torácica e o sacro.

– O abdomen deve estar conectado para dentro e para cima com a ajuda do músculo Transverso Abdominal, como se ele quisesse tocar a coluna lombar, indo em direção ao carrinho e alongando em direção à cabeça ao mesmo tempo, o alongamento axial que estará presente a todo momento. Essa posição é um comando em Pilates que chamamos de scoop.

– Os pés devem estar devidamente apoiados e alinhados em cada uma de suas 4 posições.

– Nunca hiperextender os joelhos ou deixar eles frouxos, cuide do alinhamento e do correto acionamento da musculatura. Por exemplo, se os joelhos quiserem rodar para dentro (valgo) faça uma leve rotação externa com os pés, mantendo as pernas paralelas e conectadas com os músculos da parte interna e da posterior sempre.

– Na volta do carrinho sempre resista o movimento, nunca deixe a tensão das molas te donimar!

– Lembre-se de usar os extensores do quadril, os glúteos e os isquiostibiais (a parte posterior). Não sobrecarregue o quadríceps, esse exercício não é exclusivo para ele.

– Não deve-se aumentar o número de repetições (10 para cada posição) ou fazer mais de 4 variações, afim de evitarmos um dos princípios deste método que é não fadigar a musculatura.

– Respeite o número de molas, se você tem o aparelho original são 4 molas, caso o praticante esteja iniciando diminua até que ele evolua. Geralmente só é presico diminuir uma. (Usando como referência a tensão das molas originais) Caso você não tenha as molas com tensões originais, tente adaptar a resistência mais próxima.

Posições do Footwork:

1 – Pilates “v”  

1- Posição Pilates “V”. Foto: PMA Study Guide.

 

2 – Arches  

2 – Posição Arches, com o apoio nos arcos dos pés. Foto: PMA Study Guide.

 

3 – Heels  

3 – Posição Heels, como apoio nos calcanhares. Foto: PMA Study Guide.

 

4 – Tendon Stretch

4 – Tendon Stretch, o mesmo apoio do Pilates “V” porém apenas os tornozelos se movem, e os joelhos estão o tempo todo estendidos. Foto: PMA Study Guide.

 

Como vemos, os apoios dos pés na barra de pés (footbar) do Reformer acontece de todas as formas, começando dos dedos e metatarsos (frente do pé) em rotação externa, passa pelo meio dos pés em ponta e paralelos (plantiflexão) e depois no calcanhar paralelos (dorsiflexão) . Finalizando com o trabalho de tornozelos proporcionando o alongamento e o fortalecimento do tornozelo e da musculatura da panturrilha. Trabalho completo e proporcionando uma massagem nos pés tensos de um dia longo de calçados!

Assita a seguir um vídeo do canal da Gratz Pilates no Youtube com o elder Jay Grimes. Repare que o praticante da direita está sempre em rotação externa, provavelmente para alinhar melhor os joelhos enquanto a praticante do centro e o da esquerda estam fazendo a versão original sem precisar modificar. E eles transitam direto para o Hundred completando o aquecimento.

Cada corpo é diferente do outro e sempre iremos atender as necessidades de cada indivíduo dentro do Método Pilates sem perdermos a essência!

O interessante e que depois de alguns poucos anos após criar o Universal Reformer, Joseph Pilates criou os aparelhos Chair e Cadillac e inseriu mais uma vez sua sequência de Footwork em superfícies parecidas, barras que possibilitassem esse trabalho de membros inferiores com ênfase nos pés e no controle. Viva a Contrologia!

Um bom retorno à vida a todos!

Myra
IG: @myrapilates
Fontes consultadas:

*  Hubertus Joseph Pilates, The Biografy – Perez,  J & Romero, E – 2013

O Reformer Universal – Perez,  J & Romero, E – 2012

Guia do Estudante – PMA, 2007

NO-RISK Pilates – Blandine Callais – 2010

http://www.truepilatessydney.com.au

Pedi Pole (Ped-o-Pull) – trabalhando a postura através dos braços. – Por Myra Hirano

O Pedi Pole é um dos aparelhos criados por Joseph Pilates, que também é conhecido como Ped-o-pull, Pedi-pull, Ped-o-pul, ou ainda Pedi-i-pull. Eu sinceramente não entendo o porque de mudar o nome, de toda a pesquisa que fiz e de livros que já li não encontrei o porque das variações do nome e de uma clara mudança. A verdade é que Joseph Pilates denominou este aparelho de Pedi Pole, vejo mais sentido, a partir do momento que Pole em inglês significa poste, mastro. Esse aparelho é composto de um grande mastro com um pequeno T no topo onde estão presas duas molas de intensidade forte e alças para as mãos. Esse mastro está preso a uma pequena plataforma de madeira que fica no chão.

Pedi Pole com as medidas originais de seu criador Joseph Pilates da marca GRATZ. Foto: pilates-gratz.com

Dizem que Joseph Pilates criou esse aparelho para uma cliente dele que era cantora de Opera, mas também não se tem certeza se foi para a famosa Roberta Peters ou para a também soprana Risë Stevens. Sabemos que Joseph trabalhou com diversos artistas da época e que fazia muito sucesso por melhorar a performance de seus clientes através do seu método.

O objetivo maior deste aparelho era trabalhar para alcançar uma boa postura e também ganhar flexibilidade da coluna. A primeira vista o Pedi Pole engana com sua simplicidade em acessórios, uma estrutura fisica humilde que esconde uma alta capacidade de nos desafiar e uma poderosíssima ferramenta para nos ajudar a alinhar o corpo.

O trabalho de braços também é muito presente nos exercícios do Pedi Pole já que você segura nas alças presas as molas para trabalhar o corpo. O Pole, segundo Joseph, representa a nossa coluna vertebral e através da referência deste e a conexão com os nossos braços é que realizamos os exercícios com o pricipal objetivo de fortalecer a coluna e alongá-la longitudinalmente, a famosa dupla do Pilates = powerhouse + alongamento axial, essa seria a chave para realizar os exercícios com eficiência e equilíbrio. Veja o video abaixo do Pilatesology, uma prévia de uma das aulas com o Pedi Pole do portal.

Esse aparelho nos permite trabalhar e entender a conexão que devemos fazer da coluna vertebral com a cintura escapular e os braços. Em Pilates nós não movemos as partes do corpo isoladas no movimento, sempre estamos conectados com as fontes e com o nosso powerhouse. No Pedi Pole existem molas fortes onde o objetivo não é ter braços fortes e músculos salientes, e sim achar essa integração da musculatura e o equilibrio, a partir da força corretamente aplicada, e também através do alongamento axial e o correto acionamento do complexo powerhouse.

Isso me lembra muito um Workshop online que assisti do Jay Grimes ( aluno direto de Joseph e Clara Pilates por mais de 10 anos, ainda ativo) no Pilatesology. Grimes diz que Joseph Pilates acreditava no alinhamento, todo o seu trabalho foi construído para alinhar a postura ideal para o indivíduo, e a partir daí ele encontraria a correção para os possíveis problemas e as dores sumiriam. “Isso que faz confundir o trabalho da fisioterapia com o Pilates . Pilates não é fisioterapia, por isso, pare de corrigir! Deixe o corpo se mover “sozinho” que ele mesmo irá se “corrigir”. Joseph Pialtes já fez todo o trabalho construindo esse Método perfeito, você só precisa escolher os exercícios certos para a pessoa certa.” acrescentou Grimes.

Concordo com Grimes e diria mais, ensiná-los corretamente! Por favor, não se ofendam por concordar que Pilates não é fisioterapia, sou Fisioterapeuta por formação e sei perfeitamente distinguir ambos. Não discordo que podemos usar alguns exercícios adicionando-os a outras técnicas quando se trata de uma sessão de Fisioterapia. Mas discordo que Pilates é tratamento! Pilates é movimento! Simples assim. Eu também entendo que às vezes nós paramos demais o nosso cliente para corrigi-lo em uma aula de Pilates, é uma respiração que eu quero que ele faça, é um detalhe que eu quero que fique exatamente reto…

Acredito em um movimento mais fluido em Pilates sempre, sentir o que aquele corpo está fazendo e educá-lo através do movimento dos exercícios originais. Pequenos ajustes ao longo da prática constante e uma liberdade de movimento inclusa fazem com que a prática alcance uma postura mais funcional e ideal para cada um. É uma prática, um treino pra vida, não é um tratamento que vamos receber alta.

Eu não compreendo e fico profundamente triste e frustrada do porque certos exercícios brilhantes criados por Joseph Pilates em sua Contrologia terem sido excluídos do repertório. E mais ainda pelo fato de alguns aparelhos e acessórios também terem sido “esquecidos” quando o Pilates começou a se difundir pelo mundo. Um deles é este, o Pedi Pole, que inclusive não é ensinado na maioria das escolas de formação do Método Pilates, apenas em poucas formações como a do Pilates autêntico de Romana Kryzanowska.

Eu tive contato com um Pedi Pole com as medidas originais e molas de tensão igualmente originais (faz toda a diferença) da marca GRATZ  Pilates,  no True Pilates Durham na Inglaterra. Apesar de não ter feito uma aula nele, pude ver o quanto firmes são suas molas e perceber o quanto incrível era mais essa criação do tio Joe. Depois disso comecei a procurar aulas/workshops online para assistir e constatei através do que vi e li, de profissionais conceituados, a eficácia deste fabuloso apparatus.

Alguns do exercícios que são feitos no Pedi Pole:

  1. Arm Circles
  2. Knee Bends
  3. Chest Expansion
  4. Butterfly

Se eu tivesse um Pedi Pole gostaria de usá-lo mas pro final da aula, pois gosto na maioria das vezes de finalizar a aula com uma série de exercícios na posição em pé. Tudo isso também me fez refletir o porque das pessoas criticarem o Pilates autêntico de Joseph como tendo uma certa deficiência em exercícios na postura em pé (com certeza não conhecem o repertório completo do Reformer e do Cadillac, por exemplo), acredito que a fonte de mais essa inverdade sobre a Contrologia partiu muito provavelmente e justamente dos que fizeram, parte desse trabalho genial do tio Joe, ficar esquecido e julgado como ultrapassado por ser de um “passado”. Talvez fazem isso por não saberem como trabalhar com o Pedi Pole, ou por aplicar errado a essência da metodologia de Joseph que sempre será uma só, e que se aplica perfeitamente nos dias atuais.

Para adquirir o Pedi Pole original e qualquer outro aparelho com as medidas originais de Joseph Pilates no Brasil envie um email para aparelhos@nanopilates.com.br e tire todas as suas dúvidas.

 

Pedi Pole Nanô Pilates com as medidas originais. Foto: Nanô Pilates

Um bom retorno à vida a todos!

Myra
IG: @myrapilates

Fontes consultadas:

pilatesology.com

vintagepilates.com

pilatesintel.com

pilatesconnections.com

pilates-gratz.com

PMA Study Guide, 2007

Distorções e verdades sobre o Pilates Clássico – Por Myra Hirano

Eu e Susan Moran com quem tive a minha primeira experiência com o Pilates Clássico. Mas esse registro foi um ano depois na 12th Annual Meeting of the Pilates Method Alliance em Las Vegas – EUA- novembro de 2012. Foto: arquivo pessoal.

Assim como definir Pilates é difícil e complexo, falar do Pilates Clássico não é diferente. Eu poderia resumir em uma única frase: “Programa de exercícios, com sequências e intenções originais de seu criador Joseph Pilates”. Porém, uma técnica tão complexa quanto Pilates não pode ser restrita a esta única frase, até porque se trata de uma atividade física, onde existe uma prática corporal, complexa demais para descrevermos em uma só sentença. Com isso, o Método Pilates de linha Clássica acaba sofrendo uma distorção quanto ao seu real significado, principalmente por aqueles que nao conhecem e/ou não fizeram esse tipo de formação .

Eu com Stephanie Guimond instrutora nível IV Romana Kryzanowska no seu Studio em Londres na Inglaterra, um dos dois únicos Studios que tem formação da escola de Romana’s Pilates do Reino Unido, após uma super aula individual de Reformer e Mat Pilates. Maio 2015. Foto: arquivo pessoal.

Existem 3 características básicas para identificarmos quando se trata de uma aula do Instrutor do Método Clássico:

1 – Os exercícios utilizados para a prática são realmente apenas os criados por Joseph.

Porém existem muitas adaptações para cada indivíduo , sempre construídas pensando no corpo de cada cliente, levando em conta as suas necessidades, nunca modificando a intenção inicial do exercício e sim adaptando-o para cada indivíduo ,se preciso for, através da mudança de posicionamento de alguma parte do corpo, ou diminundo um arco de movimento, por exemplo.

Tudo em Pilates foi criado com uma razão para ser, com uma conexão coerente em suas sequências e uma progressão em seus movimentos em todo o Método.

2 – Se um instrutor de Pilates Clássico fizer o uso de outra técnica ele deixará bem claro para seu cliente que aquilo nao é Pilates e sim, a técnica tal…

Isso pode acontecer, dependendo do instrutor, mas sempre no início ou no final da aula, sempre antes ou após ter feito exercícios originais (adaptados para as necessidades do indivíduo ou não ) do Método Pilates, seja do solo ou nos aparelhos. Acontece desta forma pois o Método Pilates se diferencia de outras técnicas justamente por seus exercícios únicos, suas séries únicas e seus aparelhos feitos para esses exercícios exclusivos.

Além do mais, se eu utilizo outra técnica que é tão boa para aquele meu cliente, eu devo no mínimo informá-lo, para que ele entenda o que o corpo dele está fazendo e também em respeito e valorização das diferentes técnicas. Cada Método de condicionamento físico tem o seu valor e deve ser respeitado pelo instrutor e pelo praticante. 

3 – O Intrutor de Pilates Clássico respeita a ordem existente na sequência criada por Joseph Pilates no aparelho Reformer e na sua essência , o trabalho do Mat Pilates. Mas porque?

Porque sua ordem já é totalmente coerente, eficaz e diferenciada no que diz respeito ao aquecimento do corpo, fortalecimento, mobilização e alongamento, trabalhando em todos os planos corporais e com todos os movimentos em uma progressão, sempre preparando o corpo para o que vem a seguir. 

O que pode acontecer é adaptarmos para alunos que não são capazes de realizar certos exercícios, ou ainda porque não estão preparados, por isso vai existir uma adaptação ou omissão na sequência, continuanddo com os exercícios que aquele indivíduo é capaz de realizar. Para isso temos também os diferentes tipos de aula, para iniciante, intermediário e avançado e ás vezes podemos utilizar um acessório para facilitar essa adaptação, nunca criar um exercício aleatório no meio da aula de Pilates ou em cima de um aparelho da técnica que foge da proposta, da fluidez e do engajamento total.

Eu treinando em uma semana que estive fazendo aulas privadas com Alexandra Bohlinger, instrutora nível V Romana Kryzanowska, no True Pilates Durham na Inglaterra. Minha primeira experiência com os aparelhos clássicos da marca Gratz com as medidas originais. Abril de 2015. Foto: arquivo pessoal.

Pilates foi criado para preparar nossos corpos para se mover no dia-a-dia isentos de dor e previnir possíveis lesões, seja para uma atividade básica ou nos preparar para um esporte que iremos praticar na nossa vida. Não foi criado para produzir músculos salientes, não foi criado para utilizar muita carga, principalmente não sobrecarregar as articulações, não se deve ultrapassar o número de repetições , pois não devemos correr o risco de levar o músculo a fadiga. 

O objetivo global é obtermos qualidade de vida através do movimento. Por isso, seus exercícios originais são naturalmente funcionais, ou seja, eles reproduzem os movimentos que fazemos no dia a dia em nossas vidas, juntamente com a fluidez que garante a integração total do corpo enquanto estamos fortalecendo de forma profunda, alongando e preparando uma postura ideal através desse trabalho de corpo inteiro.
Se alguém modifica todos esses quisitos e modifica os exercicios em quantidade ao ponto de virar outro foco e perder toda a conexão da técnica, vira então outra técnica, que pode ter sido inspirada no Pilates, mas deixou de ser a mesma coisa com certeza.

A linha de Pilates Contemporânea é mais modificada mas não quer dizer melhor ou evoluída. Cada uma tem o seu valor sim. O que não podemos é aceitar que profissionais de uma linha fale inverdades da outra sem nenhum conhecimento. Ou profissionais inicialmente formados pela linha Contemporânea acharem que podem inserir exercícios diferentes, máquinas diferentes ao ponto de virar outro Método e dizer que este é um Pilates moderno e evoluído. A palavra Pilates, que ganhou seu alto valor justamente devido a sua eficácia original, está sendo totalmente prostituída no mercado a nível mundial e principalmente no Brasil.

O fato é que Contemporâneo ou Clássico, os dois são Pilates! Ambos tem o seu valor e tem suas diferenças. É muito simples entender que a forma com que a aula é conduzida é que será a maior diferença entre essas linhas. 

O problema é quando se modifica demais ao ponto de não ser mais os exercícios da técnica, ou inventar um repertório completmente novo em cima das máquinas de Pilates, e dizer que é Pilates. Ou ainda criar máquinas novas e dizer que está fazendo Pilates porque usa o abdomem como centro, utiliza uma respiração específica de Pilates (que nem existe) e tem princípios como concentração. Não será! Pilates não se resume a isso em lugar nenhum do mundo, do tempo e do espaço.

Agora confira a seguir 4 distorções comuns à respeito do Método Pilates Clássico de fontes que nunca tiveram uma formação em Clássico adequada para opinar:

1 – O Método Clássico é obsoleto e limitado. ERRADO!

A linha clássica foi denominada com o nome Clássico, pois é o trabalho mais próximo do original criado pelo seu criador, o que NÃO significa atrasado. Existem congressos de Pilates puramente Clássico, estudos e experiências de até 50 anos com esta linha no mercado. Existem considerações posturais baseadas na atual biomecânica e além disso, o Método de Joseph é naturalmente funcional, isento de sobrecargas, uma técnica que já estava à frente do seu tempo, já que foi criada em 1920 com um conceito de exercícios que se encaixam perfeitamente para a população de hoje.

Quem diz que o Clássico é limitado realmente aprendeu o método tão modificado que não teve a oportunidade de aprender seus exercícios, com as devidas intenções e condução corretas.

Como um dos exemplos concretos, podemos verificar que está catalogado 289 exercícios originais pela Pilates Method Alliance® em seu Guia de Estudo, APENAS exercícios criados por Joseph que vão do nível básico ao avançado. Sem contar com os de aquecimento que existem nos videos de aulas em grupo, ministradas por Joseph no famoso Jacob’s Pillow. Quantidades por apparatus:

36 – Mat Pilates

71 – Reformer

63- Cadillac

54 – Wunda/high Chair (sem contar com os da Baby Chair)

20 – Spine corrector

16 – Ladder Barrel

13 – Magic Circle

9 – Acessórios: Bean Bag, Finger corrector, toe corrector, foot corrector e Breath-a-cizor.

7 – Ped-o-pull (ped pole)

Total: 289 exercícios originais. Para quem nunca fez Pilates e está lendo este post, é importante informar que uma aula para iniciante, nível básico de duração de 1 hora, por exemplo, utilizamos uma média de 15 exercícios contando com um aquecimento (o Pre-Pilates), sem nenhum intervalo durante a aula. Por isso dizer que o método é ultrapassado e limitado é uma grande mentira. E se uma escola se propõe a ensinar o Método Pilates, deveria no mínimo ensinar esses 289 exercícios. Caso contrário, deveria nomear o então novo Método com o nome que preferir.

2 – O Método Pilates Clássico é pobre em movimentos de extensão da coluna e só trabalha em flexões. ERRADO!

A famosa curva em “C” da coluna está presente em muitos exercícios de Pilates, quando o trabalho é para ser em flexão do tronco, mas não é verdade que só existem movimentos em flexao!! Se você aprendeu os exercícios criados por Joseph, apenas no trabalho do Mat Pilates que é a sua essência composta de 34 exercícios originais descritos em sua obra Return to Life, vemos que existem 18 exercícios (MAIS DA METADE) em que a coluna é trabalhada em extensão, onde 11 tem um dos focos musculares nos músculos extensores da coluna vertebral, seja ativamente ou estabilizando, são eles:

Swan Dive 

One-leg Kick

Double Leg Kick

Scissors

Bicycle

Shoulder Bridge

Swimming

Leg Pull front

Leg pull

Rocking

Push-up

3 – A linha Clássica trabalha com a coluna totalmente retificada (reta). ERRADO!!!!!

Esse é talvez um dos conceitos mais distorcidos. A linha clássica prioriza o indivíduo! Joseph trabalhava em sua maioria aulas individuais em seu Studio, progredindo seus clientes a partir de suas habilidades e limitações. Além do mais, dizer que ele trabalhava com a coluna completamente reta é impossível, acredito que essa afirmativa já morre a partir do momento em que a coluna cervical por exemplo nunca está retificada em seus exercícios!

Joseph Pilates era auto-ditada e não era um profissional da saúde ou do movimento com formação acadêmica ,e muitas vezes nao sabia externar /especificar seus conceitos, por falta de estudos científicos e dificuldade com a língua inglesa . E muito pelo contrário do que se acha, ao invés de lesionar as pessoas com seu Método ele até reabilitou muitas pessoas. Os instrutores do Pilates Clássico avaliam qual a melhor colocação da postutra ideal para cada indivíduo e para cada exercicio. Não existe uma só postura para pelve/coluna lombar. 

Sim, é verdade que na época em que ele criou o método ainda nao sabiamos que trabalhar com a coluna lombar e a pelve neutras, mantendo as curvaturas fisiologicas da coluna, faz com que sofremos menos sobrecarga e compressão. Porém, isso não se aplica a todos os indivíduos quando se trata de movimentos do Método Pilates e do corpo humano sempre, principalmente do repertório de solo. Cada indivíduo tem um corpo diferente, com compensações posturais diferentes, talvez lesões , desvios, etc. 

Por exemplo, para um indivíduo com hiperlordose, manter a neutra e super difícil, até nos exercicios básicos, e o aluno iniciante a maioria das vezes também. Eu por exemplo, já sou o contrário, eu tenho retificação lombar e hipermobilidade articular, com a prática do Pilates Clássico eu melhorei muito a minha postura pois trabalho o meu corpo naturalmente, me movimento tentando encontrar a minha postura ideal, que pode ser diferente da sua e que é diferente da de outra pessoa.

Se avaliarmos a obra Return to Life, Joseph nunca menciona que a coluna deve ser completamente reta ao praticar a Contrologia. As únicas vezes que ele faz o uso da palavra FLAT (RETO) é para se preparar para exercícios de flexão da coluna, a maioria se iniciam na posição deitada. Ele quer dizer para levar a lombar ao solo e sempre para se preparar para uma flexão, um movimento pequeno e profundo, não é para sair tirando o sacro do chão em uma grande retroversão como acham, o abdomem é quem faz esse acionamento profundo. E a coluna cervical está com a lordose fisiológica sempre preservada nas fotos, nunca retificada, talvez até flexionada demais às vezes. O fato é que a região lombar entra na curva acompanhando a flexão de toda a coluna e não fica reta.

Portanto, dizer que a linha Clássica prioriza o trabalho de força com a coluna reta é também um conceito muito distorcido. Existe aí uma confusão do que a ciência dizia e se aplicava na época e da aplicabilidade no Método diretamente em cada exercício.

Existem termos e posturas fundamentais como imprint e scoop que acredito também contribuirem para este equívoco, por profissionais que não são da linha Clássica não terem estudado desta forma e por isso não saberem como funciona na prática, simplificando com o que acham ou “ouviram falar” de outro da mesma linha Contemporânea.

Mas essa discussão de pelve neutra, pelve imprint, retificação, retroversão, anteroversão daria outro post, quem sabe não falaremos na semana que vem. O que pode-se afirmar é: a linha clássica não trabalha com sobrecargas em nenhuma articulação, prioriza o alongamento axial da coluna vertebral SEMPRE e todas esses mitos hoje falados como verdades por aí, dependerá é do instrutor que está aplicando a técnica, da condução da aula, seja da linha Clássica ou Contemporânea, NÃO sendo uma prioridade e característica do Clássico trabalhar sempre com a coluna reta ou em retroversão!

Eu e meu mestre Rodrigo Nanô, com quem fiz minha formação no Método Pilates Clássico , por quem tenho profunda gratidão de ter tido paciência para aguentar meus erros, minhas dúvidas e me deu coragem para enfrentar toda uma vida nova dentro da minha carreira , a qual dedico toda a minha vida! Março 2013.Foto: arquivo pessoal.

Então, se você é Instrutor do Método Contemporâneo, sugiro, que assim como eu (também fui por 6 anos, e fiz outra formação na linha Clássica) que completo em poucos meses 10 anos de carreira no Pilates, faça Workshops da linha Clássica para que você possa também conhecer a origem do que você trabalha. Independente de qual linha decidir seguir acho que é dever de qualquer indivíduo que se propõe a trabalhar com uma técnica, que conheça suas raízes para construir seu raciocínio dentro dela e se achar necessário, criar algo novo, sabendo bem de onde veio e pra onde vai.

Se você é Instrutor do Método Clássico nunca deixe de se atualizar em Congressos, cursos e workshops. A educação continuada, isso sim, é o maior diferencial de um profissional.

Se você é praticante de Pilates conheça as duas linhas e escolha a que seu corpo se adaptou melhor as suas necessidades e objetivos.

Se você nunca fez nenhuma aula de Pilates, agende agora mesmo e não vai se arrepender. 🙂

Para aqueles profissionais que não tem tempo e não podem investir em educação continuada no momento, sugiro uma assinatura no portal de aulas para instrutor : o pilatesology.com, apenas com aulas da linha Clássica.

Abaixo segue um exemplo de uma prática iniciante do incrível Jean Claude Nelson do Bluebird Pilates da Alemanha. Jean é instrutor da linha Clássica, treinado por Romana Kryzanowska, a pupila do Joseph Pilates que manteve o seu trabalho vivo durante a sua vida e deixou um enorme legado pelo mundo.

Jean Claude estará presente no Brasil ministrando aulas e Workshops no Congresso Classical Pilates Brasil, o primeiro congresso no Brasil 100% Clássico aberto à todos os instrutores do Método.

Para se inscrever acesse: http://www.classicalpilates.com.br/2015/

Um bom retorno à vida a todos!

Myra

IG: @myrapilates

The Boomerang, e o que eu entendo sobre Fluidez – por Myra Hirano

The Boomerang é um exercício do Mat Pilates, técnica criada por Joseph Hubertus Pilates. Este é um exercício de nível avançado, que se encontra bem pro final da sequência de seus 34 exercícios descritos em sua única obra sobre o Mat, chamada Return to Life – Through Contrology. 

Bem divertido, porém um pouco complexo, esse é um dos exercícios que mais desafia o controle corporal na minha opinião. Sempre penso que a fluidez, de uma forma geral, vai surgindo na medida em que conseguimos dominar a sequência que estamos executando. Era assim quando eu era bailarina e tinha que decorar uma coreografia. Ela só saia fluida depois que eu tinha domínio de sua sequência e logicamente do meu corpo, dos meus movimentos. Vejo que muitas pessoas confundem o princípio denominado Fluidez no Método Pilates. A maioria acredita que seja definido como um movimento suave, ou seja, fazer o exercício de forma lenta ou ainda movimentos graciosos como de uma bailarina. Eu mesma pensava assim no passado, até conhecer a linha Clássica, que prioriza bastante este princípio e me mostrou uma visão um pouco diferente.

Como já disse aqui no Blog em outro post, não foi o Joseph que denominou estes princípios, eles foram identificados a partir de sua obra e registros como vídeos e fotos existentes e  posteriormente inseridos na didática de ensino da técnica de Pilates.
Hoje, depois de muito estudar, praticar e principalmente assistir este material, entendo que Fluidez seria uma comparação com a bailarina sim, mas não em relação a leveza e graciosidade de seus movimentos e sim comparado à seu domínio e controle corporal. Uma coreografia/sequência realizada de forma contínua, com ligações entre um movimento e outro, sem pausas, sem robotizarmos os movimentos que o nosso corpo nos permite fazer, seria a grande chave para encontrar a Fluidez no Pilates.

O Boomerang é um desafio, pois por si só já é uma coreografia. Ele é a combinação de vários movimentos e trocas de posicionamento do corpo. Podemos até dizer que seria uma combinação dos exercícios The Roll Over with Legs Spread, e uma lembrança do Rolling back, The Neck Pull e do famoso The Teaser, acompanhados de mais alguns elementos. Complexo mesmo, né?
O curioso é que existe uma divergência na execução desse exercício. Independente da linha , Clássica ou Contemporânea, sempre vi e aprendi o exercício Boomerang executado com uma pequena pausa na transição da posição deitada para sentar. Uma pausa na posição 3 da Foto abaixo, que se parece com a postura do The Teaser.

Página do livro Return to Life de Joseph Pilates.

Acontece que ao ver os videos do Joseph Pialtes de uma coletânea de duração de uma hora que eu comprei da elder Mary Bowen, eu me deparei com o Joseph mostrando o exercício Boomerang para um aluno de forma diferente de todas as performances que tinha visto e que me ensinaram até então (Vídeo A). Fui correndo ao Livro Return to Life para checar. E….voilà! Joseph em sua descrição detalhada não menciona qualquer pausa ou alongamento extra na pose de número 3 do livro. Além disso fiquei pensando se não confundiram a foto, que é uma imagem congelada com uma pausa, perdendo assim a fluidez, ou ainda se o Joseph usava as duas formas. Porém a forma documentada só encontrei esta, bem mais fluida, com uma certa ênfase no alongamento da coluna quando atinge a posição sentada (última foto desse exercício no seu livro) e uma troca de pernas bem definida.

Então, cheguei a conclusão de que o que eu conhecia até aquele momento era uma variação (Video B). Exceto em uma lembrança do Workshop do Benjamin Degenhardt, que ouvi e fomos orientados por ele para não pausarmos na passagem e deixarmos o movimento do exercício Boomerang ser mais fluido e contínuo, como seu próprio nome sugeria (aquele brinquedo que vai e volta devido ao seu shape em “V”).

Diante de tudo isso comecei a analisar qual forma me agradava mais dentro da sequência e em qual eu achava mais sentido em relação aos exercícios que o antecediam e aos seus sucessores também.
Observei primeiro os exercícios anterioires. The Boomerang é o 28º da sequência, os 5 exercícios antes dele são de exigência e foco nas extensõs da coluna vertebral. Por outro lado, me parece que o Boomerang veio para abrir uma fase de flexões da coluna e massagem da mesma, através do rolamento da coluna em forma de “C” no chão, acompanhado dos exercícios  The Seal e The Crab.

Fazer o Boomerang da forma que vi o Joseph en persona realizando no vídeo (Vídeo C), e pensando na descrição de seu único livro, fez com que eu achasse mais sentido com relação a sequência e também ir de encontro a um novo foco e principalmente a fluidez, que estava um pouco perdida pra mim ao pararmos na posição de Teaser para alongarmos e mudarmos o foco mais pro abdomem.

Eu fico com essa versão mais fluida, agora me sinto até um boomerang de verdade haha.

E vocês, pilateiros? Qual versão vocês preferem? A do registro em vídeo e livro do Joseph Pilates ou a variação conhecida nos dias de hoje? Vocês acham que ele usava as duas? Deixe um comentário e vamos praticar!

Lembrem-se de somente praticar Pilates sob a orientação de um profissional capacitado. É o seu corpo, a sua saúde. Cuide-se!
Um bom retorno à vida a todos!

Myra

IG: @myrapilates

* Contribuiu para informações sobre o exercício The Boomerang – Tatiana Trivellato (IG: @tatitrivellato. Site: tatianatrivellato.com.br)

Respira, expira, só não pira! – por Myra Hirano

” ‘Squeeze’ every atom of air from your lungs until, they are almost as free of air as is a vacuum”


” ‘Esprema’ cada átomo de ar dos seus pulmões até que eles estejam tão vazios de ar como um vácuo”. 

Joseph Pilates 

Foto: internet.
A Respiração é considerada um dos princípios do Método Pilates, digo considerada pois Joseph Pilates não especificou esse princípios conhecidos atualmente por nós ( respiração, concentração, centro, controle, precisão e fluidez).
Esses princípios foram listados a partir da identificação (interpretação) de seus 2 únicos livros, vídeos e outros materiais existentes. (ISACOWITZ 2011)
Isso me faz entender porque há tanta divergência em relação a técnica da respiração usada nos exercícios de Pilates pelas escolas que existem hoje. Mas de qualquer forma, todas aceitam os princípios como base desse sistema.
Sempre que tenho alguma dúvida em relação a qual forma se aplica melhor, qual escola escolheu a melhor técnica respiratória ou outra particularidade do método, o que devo seguir ou não, recorro a “bíblia” rsrs Return to Life Through Contrology, as palavras do Sr Pilates, ninguém melhor do que o criador para me guiar.
Assim como qualquer “bíblia” acredito que se possa também interpreta-la de diversas formas, dependendo da pessoa que está lendo, e de alguma maneira outras coisas/idéias podem influenciar essa interpretação. De qualquer jeito, Pilates é prática ( e também ciência, claro), e na maioria das vezes encontro a resposta é praticando mesmo.
Analizando a obra de Joseph Pilates vemos que a prioridade é respirar! Não importa se você vai fazer pelo nariz, ou pela boca, se vai expandir um lado, depois o outro, se vai ins ou se tem que ex em um exato momento….. Enfim, Joseph descreve muito bem o mais importante (pensando na ciência), expire (coloque o ar para fora) o máximo que você conseguir, respire e sinta o ar fresco (inclusive ele até compara que a sensação deve ser como se você estivesse respirando aquele ar puro lá no topo de uma montanha). Além disso, ele alerta da importância de uma respiração consciente, fazendo com que nós respiremos para que nosso corpo aproveite o máximo das trocas gasosas. Entra oxigênio, elimina dióxido de carbono. Quanto mais ar, mais oxigênio é carreado para as células do nosso corpo todo, logo ele funcionará melhor, o internal shower (um espécie de banho interno, dizia o Joe ).

 

Imagem ilustrando os pulmões e em destaque os alvéolos pulmonares e os vasos sanguíneos. Imagem: internet.
 

No livro também encontramos um parágrafo em que ele pede que nós (os praticantes) devemos levar a atenção para a respiração ao fazer os exercícios de enrolar e desenrolar a coluna, como no The Roll Up, por exemplo. Fiz isso e percebi que há uma conexão incrível com a respiração no que diz respeito a mobilização da caixa torácica e a conexão com a nossa coluna vertebral, até porque anatomicamente já faz sentido.

A respiração funciona como um combustível para o nosso corpo, e podemos pensar que ela também é um combustível para o que nós chamamos em Pilates de Powerhouse.

Região que chamamos de powerhouse composta por todos os músculos desta área. Foto: internet.
Imagem do powerhouse como se fosse uma sanfona e um corselet associado a respiração. Imagem: internet.
Joseph também faz relação da respiração com o coração, o que também faz muito sentido já que fisiologicamente a troca gasosa acontece através dos pulmões e da circulação sanguínea, acontecendo diferentes pressões, trabalhamos o sistema podendo acalmar as emoções e até ajudar a prevenir doenças cardiovasculares. O Hundred por exemplo é um exercício com foco na respiração, fluida , completa, e ponto! (Fiz um post sobre este exercício, já leram?).

O que eu quero dizer com tudo isso é que em momento algum Joseph escolhe algum tipo de respiração específico ou menciona se você deve inspirar antes de começar, ou expirar na força, ou ainda fazer barulho ou não… Ele fala, e muito bem, sobre a importância de respirar livre, completo e consciente, “ar para dentro, ar para fora”.

Ao chegar nas páginas de Return to Life em que ele descreve cada exercício, observei uma coisa em comum nos 34 exercícios, ele não fala de respirar antes de começar, apenas quando ele descreve o primeiro ou o segundo movimento. Outra palavra que está presente em todos os exercícios é SLOWLY (lentamente), seja expirar ou inspirar ele coloca em caixa alta, inclusive. Ou seja, respire consciente, devagar, preste atenção na respiração.

Além disso, dos 34, apenas 1 exercício ele começa com a expiração. Todos ele menciona com uma inspiração primeiro, mas também nem sempre no primeiro movimento. As vezes a respiração vem mencionada no meio do exercício, exceto um único, o exercício The One Leg Circle, que ele começa pedindo uma expiração antes de ins, será que tem um porquê? O que vocês acham?
A meu ver não existe uma receita de bolo para a respiração no Método Pilates, e não só porque seu criador não a especificou, mas porque na prática entendo que o mais importante é ter fluidez e consciência no que diz respeito a respirar completamente, respirarmos e principalmente expirarmos o máximo que conseguirmos, através de uma respiração calma, natural e consciente, expandindo e conectando , dando ritmo ao movimento que o nosso corpo está executando.
Atualmente sabemos que uma respiração lateral, chamada intercostal, ajuda a manter a contração abdominal enquanto estamos fazendo força, nos exercitando, como em Pilates por exemplo. Mas nem sempre o foco de um exercício do Método Pilates é a região abdominal. Isso me faz concluir que nem sempre precisaremos desse tipo de respiração e mais uma vez entender que não existe receita certa a seguir.
Existem inúmeras técnicas de respirar, principalmente nas atividades orientais como Yoga, Tai chi chuan, Chi kung, Lian kung, artes marciais em geral… Na Fisioterapia, técnicas como RPG, tem importância específica e muitas vezes ligação muscular para direcionar um tratamento da postura. Energia vital, chakra, tratamento de reabilitação, todos tem seus benefícios dentro de seus porquês.
O importante em Pilates é respirar, ou melhor, expirar!  Existem até exercícios que dão mais foco na respiração como o hundred e o breathing do Cadillac, mas são bem poucos! Até um acessório chamado Breath-a-cizor para ajudar a controlar a saída de ar ( máximo que conseguimos expirar) foi criado por Joseph, mas não era uma prioridade usar em todas as aulas, era apenas um exercício para se conscientizar da utilização da expiração máxima, um educativo. Pense que se você ficar preso aonde deve puxar o ar, onde deve soltar, acabará perdendo a fluidez, o fluxo e a própria consciência corporal.

Deixe a respiração ser mais livre através do movimento fluido e tente conectar o seu corpo através dos exercícios. Acima de tudo, nunca perca a fluidez! Boa prática e reflexão pra vocês!

Breath-a-cizor, acessório criado por Joseph Pilates para ajudar a expirar completamente, “expulsando” os poluentes e abrindo espaços não utilizados normalmente pelos pulmões. Foto: internet.
“Ar para dentro, ar para fora.” Joseph Pilates

 

Figura do livro Your Health de Joseph Pilates, no capítulo em que ele fala sobre a importância da atividade física na postura, respiração completa e na qualidade de vida das crianças. “Primeiro, eduque a criança” disse ele.
 

Um bom retorno à vida para todos!
Myra

Instagram: @myrapilates
*Contribuiu para informações sobre o Breath-a-cizor: Fernando Albernaz (IG:@pilatesmais)

*Pilates Anatomy, ISACOWITZ Rael, Human Kinetics, 2011